O envolvimento do Terceiro Reich com o esoterismo, o neopaganismo e a busca por relíquias sagradas não foi um conto de fadas sombrio, povoado por bruxos de banda desenhada ou demónios literais que operavam nas sombras. A realidade histórica é muito mais complexa, fria e, por isso mesmo, infinitamente mais assustadora. O esoterismo nazista representou o ápice de como um Estado moderno, burocraticamente sofisticado e tecnologicamente avançado, pode deliberadamente sequestrar mitos ancestrais, lendas populares e o próprio desejo intrínseco do ser humano pelo sagrado e pelo transcendente. Esta mística não foi uma força motriz independente, mas sim uma ferramenta de engenharia política e psicológica. Ela foi utilizada para preencher o vazio moral deixado pela rejeição do humanismo, transformando o ódio racial numa cruzada cósmica e a violência industrializada num ritual de purificação.
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