Ao ultrapassar o último arco da cidade e avistar as torres da imponente Catedral de Santiago de Compostela a partir da Praça do Obradoiro, a alma do peregrino experimenta um sobressalto de graça inefável. O corpo exausto, marcado pelo suor de longas semanas e pela dor das feridas da caminhada, parece subitamente leve. Diante daquela mole de pedra erguida pela devoção de séculos, os olhos enchem-se de lágrimas e as pernas dobram-se instintivamente sobre as lajes seculares da praça. A chegada não é um mero fim geográfico, mas uma antecipação mística e sensível da entrada da alma na Jerusalém Celestial. Ao atravessar o majestoso Pórtico da Glória — esculpido pelo Mestre Mateo no século XII —, o fiel contempla em pedra a visão do Apocalipse: Cristo Rei entronizado cercado pelos Vinte e Quatro Anciãos e pelos Evangelistas, acolhendo os atribulados da terra que perseveraram até ao fim. Ajoelhar-se ali é reconhecer que todo o sofrimento da estrada foi infinitamente pequeno se comparado à gl
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