A segunda pessoa gramatical em muitos destes poemas, a quem uma entidade que tudo sabe (demiurgo) se dirige, não é propriamente o leitor. Trata-se de um dos protótipos do gênero humano, um deles, mas não o único, o que quer dizer que somos diferentes de nós. Cada um é um, e se for mais de um, nunca é o outro. Na maioria destes poemas propositadamente pequenos, alguém se dirige a alguém surpreendendo instantes especiais da alma humana. Ora uma circunstância vaga e improvável, na vizinhança do sonho, ora um salto imprevisto nas malhas da realidade. Poesia é mais ou menos isso.
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