Se amas, amas. Isto é, a hora do amor é a hora do amor. O amor em exercício não compartilha suas eternidades com qualquer outro sentimento e menos ainda com qualquer outra ocupação. O amor enquanto amor é o dono do tempo. Não que detenha o tempo durante sua vigência, pelo contrário, quando dá por si percebe que o tempo passou, e passou depressa demais. Não aquele tempo cronológico que nos alerta para as disponibilidades físicas do cotidiano, mas aquele que se apossa de nossa alma e nos informa que até o amor tem seu instante absoluto. Quem ama, ama, e o mundo que espere. Ora! o mundo! Sobretudo no caso do amor ardente, ocupadíssimo consigo mesmo quando acontece uma viagem na qual o finito e o infinito são duas realidades, ou duas irrealidades que se confundem, que se atropelam e se negam e se reafirmam como únicas possibilidades e como únicas imponderabilidades. Sua lógica só tem explicação em si mesma. Coisas mais ou menos assim. Ou muito diferente disso. Se amas, amas. E pronto.
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