O escritor Antonio Cícero, em seu livro "Poesia e filosofia", observa que: "a poesia exige mais tempo livre do que a fruição de obras pertencentes a outros gêneros artísticos. Não precisamos nos concentrar numa canção ou numa pintura ou numa escultura ou na arquitetura de um prédio para que elas nos deleitem. Podemos apreciá-las en passant. Não é assim com um poema escrito. Quem lê um poema como se fosse um artigo, um ensaio ou um email, por exemplo, não é capaz de fruí-lo. Para apreciar um poema é necessário dedicar-lhe tempo." Nada melhor do que o ócio para poder apreciar e fruir um poema. O mesmo ócio em que foi produzido. "Inventário do ócio" é sobre isso. Sobre a inutilidade das coisas melhores e fundamentais da vida: o amor, as divagações sobre a alegria, a efemeridade, o encantamento que a própria vida provoca na gente.
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