Caro leitor, aproxime-se sem pressa, pois o tempo aqui é medido por pás de terra. Você segura em suas mãos o primeiro registro do Cemitério das Almas Esquecidas. Baltazar, o coveiro que já viu o orgulho ser devorado por vermes, convida você a testemunhar a queda de Heitor Valadares. Heitor era um homem que não perdia segundos, apenas vidas. Um mestre da usura que acreditava piamente que o ouro poderia comprar o silêncio do destino e que relógios serviam apenas para cronometrar lucros. Mas, nesta antologia, a pontualidade é uma faca de dois gumes. O que acontece quando o mecanismo que dita sua fortuna começa a contar os batimentos que lhe restam? Entre moedas de ouro e o cheiro de mogno novo, Heitor descobrirá que o acerto de contas final não aceita suborno. Não espere um final feliz; aqui, a ironia é tão profunda quanto a cova que Baltazar está cavando agora. Sente-se, apague a luz e ouça o tic-tac. O relógio de Heitor parou no zero absoluto. E o seu, quanto tempo ainda marca?
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