Matias é uma narrativa feita na primeira pessoa, pelo governador da Capitania de Pernambuco no período de 1620 a 1627, Matias de Albuquerque. Seu relato começa em seu leito de morte, em maio de 1647. Num monólogo confessional e poético, registra o estado psicológico do herói que, gravemente enfermo, passa em revista sua vida, lança um olhar para a frente e para trás, consciente do completo destemor à morte. Comandou as guerras de resistência à invasão holandesa com teimosia e seriedade. Dedicou os melhores anos de sua juventude a Pernambuco, entre a escassez de alimentos e os ataques de malária. Fez sérios questionamentos históricos aos primeiros cem anos de Pernambuco, para salvaguardar a memória da terra amada, preocupando-se com o julgamento da posteridade, sabedor das distorções que povoam as versões oficiais escritas a soldo dos governantes. Assim é Matias, uma narrativa na qual os personagens tiveram existência real, o que não impede que tenham, no romance, existência fictícia.
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