Para todo sentimento há o seu oposto: a loucura e a sensatez, o amor e o desamor, a alegria e a consternação, a frustração e a realização etc. Viver é uma constante oscilação entre os dois lados da moeda, e o equilíbrio uma utopia existencial tão acessível quanto conseguir estabilizar o níquel entre seus opostos: a cara e a coroa. Na impossibilidade de caminhar incólume entre cada um dos sentimentos humanos, resta-nos a chance de estar presente, ativa e contemplativamente, no grande mosaico das sensações extremadas, das personagens desequilibradas e do grande universo e fruto dessa nossa imperfeita criação. E uma vez conscientes de nossas limitações, confrades no grande desatino de existir já o somos – o que não nos garante nada, senão o prazer e a certeza de não estarmos sós, nessa “longa e sinuosa estrada” do viver.
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