Nascemos para escrever. Cada um à sua maneira escreve e está escrito. Cada ato e pensamento estão enchendo as páginas da vida: livro pronto de caminhos previamente traçados. Na verdade seguimos um tracejado, cobrimos os pontilhados, ligamos os pontos. Mas esta amorosa lírica, onde caligrafias escrevem as mesmas linhas predestinadas, só é possível quando o verso tem dupla autoria, o par como unidade. Amor não é feito de solidão. Amor não é auto amor. Narciso morreu belamente de se amar! Amor requer morte nos braços de outro amor. É completar as palavras de outra boca tão cara a nossa. É ser telepata, sociopata é esgueirar-se pata a pata como quem procura o tom tão parecido com nosso. Amar é rimar em outro coração a soma do infinito.
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