O Poeta não se preocupa com o leme... Prefere deixar-se levar à deriva, ainda que enfrente tormentas e as vagas desgovernadas do mar revolto. O suor que lhe desce pela testa, o pulsar descompassado do peito, o frio que lhe percorre as entranhas é o que o instiga a prosseguir, apenas ir em frente, sem nenhum rumo a cumprir. E o Pensador? Ah... este se agarra tenazmente ao timão e não se desvia da bússola que lhe garante o destino pré-traçado. Quem vencerá? Não se sabe. Dependerá dos ventos que arrastam sem esforço o Poeta, ou da resistência dos mastros e força das velas que o leme do Pensador controla a pulso firme sem afastar a visão da proa. A obra se propõe a trazer à luz as diferenças entre as duas naturezas aprisionadas na alma do artista.
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