A literatura japonesa de ditados, dos haicais clássicos aos kotowaza populares, costuma usar a natureza como espelho do comportamento humano. Um aforismo anônimo atribuído a essa tradição pontua que a ponte que resiste ao rio não é a que desafia a corrente, mas a que aprende onde apoiar seus pilares. Antes de erguer pilares, é preciso estudar o leito, medir a profundidade, identificar onde a rocha sustenta e onde a areia engana. Ter pressa, nesse contexto, emerge como omaior perigo, e não a correnteza em si. Como expresso no primeiro texto das Três faces do absurdo, incluído ao final desta seleta, durante a juventude vivi o encantamento de acreditar que “fugir de mim, de mim me evadir”, embora improvável, talvez não fosse impossível.
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