Duas horas depois a única coisa a fazer no escritório era abrir o pacote que Jéssica Earnshaw mandou. Com as mãos tremendo rasgou o papel e encontrou uma mulher bonita, de óculos de lentes redondas, cabelo chanel roxo claro, quase lilás, rindo alegremente com dentes regulares e brancos. Do corpo só se via o busto comprimido em um espartilho coberto de cravos de onde pendiam vísceras frescas. As mãos, sujas de sangue, seguravam fortemente um cérebro, na verdade enterrava os dedos nele. Seria apenas um belo quadro pavoroso de horror gótico escatológico pintado a óleo sobre tela com muito talento e técnica renascentista, lembrando um pouco Rubens, não fosse um detalhe: a mulher era eu.
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