Trata-se de um romance desmontável. A trama gira em torno do Cine Teatro São José. As histórias são únicas e podem ser lidas fora da trama. A turma é a mesma, os personagens passeiam no tapete da ficção. A narração é na primeira pessoa. Quando na sessão de cinema aparece o THE END, todos sabem que é o fim do filme. Acabou-se o que era doce. Acabou o sonho, a fantasia, mas a gente sabe que pode voltar a sonhar numa outra sessão. E quando acaba o cinema? O que aconteceu com Cine Teatro São José? Ele fechou. Não houve mais matinês. As coisas mudaram. Mudou Bolinha, Garzon, Alemão, Glorinha, Rutinha, Godô e toda a turma . Só ficou a memória... e a memória é um poço escuro e fundo. A memória não tem lanterna. A luz está na memória. Contra tudo isso só resta resistir. Contar é resistir, assim como recordar é viver.
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Mineiro perdido em Belo Horizonte desde que me deram o mundo de presente.
Nasci em setembro, sou de virgem, embora a virgindade se tenha perdido nessas montanhas de utopias e abismos. Nasci no Dia da Independência, mas continuo dependente da vida, das manhãs, dos ermos e da poesia.
A matéria do escritor é a vida e esta explode nas esquinas, nos bares, na sala de jantar, nos becos, estádios e corações. A vida é eletricidade. O escritor é o fio condutor dessa realidade. E dá choque.
Tenho mais de 35 livros publicados, alguns no forno e outros nas gavetas da cabeça.
Pai, mãe, seis irmãs e um irmão nasceram em Mesquita, cidadezinha que parou no tempo e no mapa de Minas Gerais, ainda bem. A caçula e eu nascemos na capital, mas nem por isso somos capitalistas. Míriam, Pablo, Mariana e Thiago ajudam-me a sedimentar e plantar a paixão, a poesia e o pão nosso de cada dia.
São Francisco é meu santo, Irmãozinho, meu Rio, minha sandália e minha lua cheia de fé e sol.